terça-feira, 11 de setembro de 2012

Prólogo


Em uma sala escura, uma jovem mulher estava ajoelhada com a cabeça apoiada no chão. Se erguesse o rosto, poderiam ver que estava chorando, mas não ergueria. Ela não poderia fazer isso por que sentia, em meio a sua angustia, que uma força a puxava para baixo, em direção ao centro da terra.
Quem não a conhecesse diria que é mais uma infeliz sucumbida pela fraqueza humana de amar, contudo, quem a conhece diria que ela não poderia se ajoelhar e chorar jamais, diriam que ela é o exemplo da força e da coragem. E estariam quase certos.
Um soluço cortou o silêncio em que ela se envolveu, seu corpo tremia. Ela sabia que não devia chorar, sabia que ninguém a poderia ver fazer isso. Porque a força não se dobra, porque a coragem não se esconde e o amor deve ser felicidade. Entretanto, naquele dia, naquele único dia em que seu destino gritava por suas promessas, ela se rendeu.
Não porque sentisse dor ou estivesse confusa. Simplesmente porque estava cansada de sentir-se vazia. Era o desencanto de conhecer o nada, de não conseguir caminhar, embora soubesse para onde ir, de não encontrar as palavras, embora as conhecesse muito bem.
Imagens passavam por sua mente a todo segundo, lembranças vívidas do carinho de uma família que abandonou. Lembranças de um amor que deixou, de beijos e abraços que jamais teria. Ela tentava se agarrar a essas lembranças desesperadamente. Mais do que isso, ela tentava resgatá-las. Pois essa mulher, que mais parecia uma garota, abriu mão de sua humanidade para ajudar o mundo a sobreviver.
Levante-se e foque-se. É hora. Eles precisam de você. A mensagem foi alta e clara em sua mente, fazendo-a parar de tremer imediatamente. Porque quando os deuses te chamam você descobre que pode ser mais forte do que pensou que fosse. Ela se ergueu lentamente, enxugando suas lágrimas e tateando o chão em busca de suas armas.
Segurou-as com força, sentindo a suave e forte textura do material divino, e respirou fundo. O tempo passara voando desde que ela deixou-se perder. Sem olhar para trás, virou as costas e saiu da sala em passos seguros, porque jamais conseguiria ver que seu coração havia ficado naquele chão. Embora soubesse.

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